A história de uma princesa africana que enfrentou a escravidão no Espírito Santo agora ganha vida de forma interativa e inovadora nas salas de aula. O jogo digital “Zacimba: A Resistência da Princesa” está sendo utilizado por estudantes da rede pública para aprender, de maneira envolvente, sobre uma das mais importantes lideranças negras do Estado.
Zacimba Gaba foi uma princesa angolana do século XVII, escravizada e trazida em 1690 para São Mateus, Norte do Espírito Santo, onde se tornou líder de quilombo após envenenar o senhor da terra, José Trancoso. Fundou comunidade no Riacho Doce, organizando ataques noturnos que libertaram centenas de recém‑chegados à escravidão. Mestre na construção de canoas, fortaleceu a resistência negra local e irradiação de saberes de autonomia quilombola. Hoje, a “Rota de Zacimba Gaba” e encontros anuais celebram seu legado de ousadia e liberdade.
É essa história que está sendo desenvolvida pelo estúdio capixaba Ludo Thinking. O ‘game’ aposta na dinâmica dos jogos de escape para transformar o aprendizado em uma experiência ativa. Durante uma hora, os estudantes são desafiados a investigar pistas, resolver enigmas e avançar na narrativa enquanto conhecem a trajetória de Zacimba Gaba, princesa africana escravizada que liderou estratégias de resistência e luta por liberdade.
Mais do que ensinar história, o projeto busca engajar. Ao incorporar elementos de jogos, a proposta estimula o protagonismo dos estudantes, o trabalho em equipe e o pensamento crítico — tudo isso em um ambiente digital acessível e gratuito. Para garantir a fluidez da experiência, o próprio sistema apresenta respostas caso os desafios não sejam solucionados, evitando frustrações e mantendo o ritmo da aprendizagem.
“O jogo foi pensado como uma ferramenta pedagógica acessível, que dialoga com metodologias ativas e com a realidade das escolas. A história de Zacimba é potente, necessária e ainda pouco conhecida. Transformá-la em experiência interativa é uma forma de fortalecer a memória, a identidade e a educação antirracista”, destaca a equipe da Ludo Thinking.
Suporte aos professores
O projeto também oferece suporte completo aos educadores. Um guia pedagógico acompanha o jogo, com contextualização histórica, orientações didáticas e sugestões de atividades que permitem trabalhar o conteúdo de forma interdisciplinar, envolvendo áreas como História, Língua Portuguesa, Artes e Ciências Humanas.
A iniciativa reforça a valorização de narrativas negras locais e o uso da cultura digital como aliada da educação, aproximando o conteúdo da realidade dos estudantes e tornando o aprendizado mais significativo. O ‘game’ foi desenvolvido com apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), por meio do Funcultura e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), e já está disponível gratuitamente para professores interessados em inovar suas práticas em sala de aula.
Serviço
Jogo – Zacimba: A Resistência da Princesa
Formato – Jogo digital de escape educativo
Duração – Aproximadamente 1 hora
Público-alvo – estudantes do Ensino Fundamental II e Ensino Médio
Acesso: Gratuito



