A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai estudar e colocar definitivamente em pauta a possível redução no número de rebaixamentos e de acessos no Brasileirão. Os clubes da Série B foram avisados em reunião realizada na quinta-feira (05/02), na sede da entidade, no Rio, sobre o próximo tema em pauta. Na mesma reunião do Conselho Arbitral dos clubes que integram a Segunda Divisão de 2026, a CBF anunciou a criação do Programa de Apoio à Reestruturação Financeira de Clubes da Série B (PARF-B) e definiu também a criação de “playoffs” entre os times que finalizarem a competição da 3ª à 6ª colocações. Somente o campeão e o vice da Segundona garantem o acesso à Primeira Divisão de 2027.
O tema do número de rebaixados foi levantado por alguns presidentes de clubes da Série A nos últimos anos — e esteve presente em reunião em março de 2025, quando Ednaldo Rodrigues ainda era presidente da CBF. Samir Xaud, eleito em maio do ano passado, e membros da diretoria da CBF avisaram aos clubes que a entidade vai entrar de cabeça no tema.
Há correntes que defendem a redução de quatro para três rebaixados na Série A, o que consequentemente implicaria em três acessos da B para a A. Novos encontros ainda não têm data para ocorrer, muito menos a aplicação de possível redução. O número de rebaixados permanece inalterado desde 2004, quando caíram quatro clubes pela primeira vez no futebol brasileiro. Os pontos corridos na Série A começaram em 2003, quando caíram dois de divisão. A Série A tem 20 clubes desde 2006.
Ainda na reunião de quinta-feira, a CBF deu mais uma demonstração concreta de valorização de seus produtos com o anúncio do PARF-B, anúncio que garante tranquilidade financeira e equilíbrio competitivo para a edição deste ano da Série B. Através do programa, a CBF confirma que continuará a financiar integralmente as despesas de logística (transporte e hospedagem), de exames antidoping e as taxas de arbitragem para a disputa da competição.
No entanto, a partir desta temporada, a manutenção desse benefício estará estritamente condicionada ao cumprimento de uma série de requisitos que fazem parte do arcabouço do Sistema de Sustentabilidade Financeira (Fair Play Financeiro) criado pela CBF, demandando como contrapartida colaboração e transparência pelos clubes.
Para o presidente da CBF, Samir Xaud, o desfecho da reunião foi o esperado tanto pela parte da CBF como pelo lado dos clubes. “Foi uma reunião muito produtiva. Estamos numa reconstrução dos nossos campeonatos. É um produto que estava desvalorizado e estamos trabalhando nessa valorização. Chegamos num denominador comum, achamos uma forma de enaltecer o nosso produto, de valorizar ainda mais e ajudar os clubes, pensando na sua saúde financeira como um todo, chegando em um modelo de gestão que estamos implementando aqui na CBF. Nada mais justo do que a CBF continuar ajudando os clubes financeiramente, aportando alguns gastos, mas em contrapartida os clubes mostrarem esse controle financeiro”, disse Xaud.
Formato de disputa
Outra grande novidade é a alteração do formato da competição, com a criação de um sistema de “playoffs” ao término das 38 rodadas de pontos corridos, envolvendo os quatro clubes posicionados da 3ª à 6ª colocação. Com a proposta, aprovada por maioria de votos dos representantes de clubes presentes, as duas vagas restantes de acesso serão definidas ao fim de confrontos de ida e volta, com o 3º colocado enfrentando o 6º, e o 4º disputando contra o 5º.
“Buscando possibilidades de criar maior valor comercial, maior atratividade para a competição da Série B, nós propusemos para debate e votação entre os 20 clubes presentes na reunião do Conselho, a cereja do bolo da reunião de hoje, com a implementação do Playoff. A partir deste ano na Série B, os clubes que ficarem de terceiro a sexto, ou seja, esses quatro clubes, eles jogarão duas partidas, ida e volta, para que sejam determinados os últimos dois clubes que subirão junto com o primeiro e o segundo colocado na classificação geral para a Série A do ano de 2027”, disse Julio Avellar, diretor de competições da CBF.
Outra grande mudança foi a decisão dos clubes de alterar o calendário inicial, que previa uma pausa durante o período de Copa do Mundo, para incluir partidas da Série B enquanto o Mundial estiver acontecendo. Para Avellar, esta medida pode aumentar o nível técnico da competição. “Com isso vamos conseguir espaçar mais os jogos, o que aumenta o nível técnico, ajuda na preparação e na recuperação física dos atletas e até na logística dos clubes”, concluiu.
Critérios de Excelência e Monitoramento
O PARF-B está sendo desenhado para premiar a gestão responsável e a transparência. Para permanecer no programa e usufruir do custeio das despesas operacionais, os clubes deverão cumprir os requisitos do novo Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) da CBF. Além das regras gerais do sistema, os participantes deverão observar novos indicadores específicos de desempenho e conformidade, focados em solvência, modernização de gestão e transparência. O detalhamento técnico desses indicadores será apresentado em regulamento próprio, a ser divulgado pela CBF até o final de fevereiro.
O monitoramento dos indicadores e a auditoria das informações prestadas ficarão a cargo da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), instituição independente criada pela CBF especificamente para a fiscalização e gestão do Fair Play Financeiro da entidade. O objetivo é fomentar um ambiente de negócios mais seguro, onde os recursos economizados pelos clubes com a isenção de custos operacionais sejam efetivamente direcionados para o saneamento de passivos e para a reestruturação interna.
Regras de Permanência
A adesão ao programa é facultativa, mas a fiscalização será contínua ao longo de todo o campeonato. Caso a agência reguladora identifique o descumprimento dos requisitos de gestão e governança estipulados no regulamento, o clube estará sujeito à exclusão do programa. Nesse cenário de desenquadramento, o clube perderá imediatamente o subsídio da CBF e passará a ser o único responsável pelo pagamento de seus próprios custos de logística e arbitragem até o fim da competição.



