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A Polícia Civil prendeu um dos chefes da organização criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), Marcos Luiz Pereira Júnior, vulgo “MK”, de 30 anos, acusado de tráfico de drogas e de assassinatos. Ele, que já está condenado a 69 amos de prisão, era apontado como um dos bandidos mais procurados do Brasil e responsável por introduzir no Espírito Santo métodos de atuação da milícia do Rio de Janeiro. Entre os métodos, está a extorsão de empresários, que chegaram a sair do Estado por causa da pressão dos criminosos.

‘MK’ foi preso na última sexta-feira (02/01), no bairro Jardim Limoeiro, na Serra, numa operação do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP) da Polícia Civil, em conjunto com a Subsecretaria de Inteligência (SEI) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), Superintendência de Polícia Especializada (SPE) e a Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core). ‘MK’ é capixaba, mas, até final de 2025, estava foragido no Rio de Janeiro.

O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, afirmou, em coletiva de imprensa na segunda-feira (05/01), que a prisão de ‘MK’ é considerada estratégica para as forças de segurança capixabas e até mais importante que a captura de Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, líder da facção Primeiro Comando de Vitória (PCV). MK também é investigado por homicídios e considerado braço direito dos “Irmãos Vera”, que lideram a facção Terceiro Comando Puro (TCP).

“Ele [MK] trouxe para o Espírito Santo uma metodologia de extorsão de comunidades e de empresários. Então, MK chegou a, inclusive, fechar empresas aqui. Empresas foram fechadas porque não estavam suportando as extorsões que ele estava praticando”, informou Darcy Arruda.

Em janeiro de 2025, segundo Darcy Arruda, ‘MK’ foi alvo principal da Operação Conexão Perdida, realizada pela Polícia Civil do Rio. No entanto, ele conseguiu escapar, na mesma ação que prende 10 outros bandidos no Complexo da Maré.

Ainda segundo o delegado-geral da Polícia Civil capixaba, as investigações identificaram que os líderes da facção no Estado utilizavam a extorsão de empresários dos setores de internet, gás e água como principal fonte de renda. Para atuar em áreas dominadas pelo grupo, essas empresas eram obrigadas a pagar uma mensalidade.

“Os valores obtidos eram movimentados por meio de contas bancárias diversas, incluindo uma lotérica e um ‘banco paralelo’ localizado no Complexo da Maré [no Rio]. O banco movimentou R$ 43 milhões em alguns meses”, acrescentou Darcy Arruda.

A Polícia Civil informou também que ‘MK’ permanecia escondido no Rio, de onde comandava o crime no Espírito Santo de forma remota. Entretanto, teria retornado à Grande Vitória para visitar familiares e a namorada nas festas de fim de ano.

“Marujo era importante na cadeia do crime? Era. Mas essa prisão é cinco vezes mais importante”, afirmou Darcy Arruda. Marujo foi preso pela Polícia Civil, no dia 8 de março de 2024, no bairro Bonfim, em Vitória.

Chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), o delegado Fabrício Dutra descreveu o grau de periculosidade de MK:

“Nós não estamos aqui falando de um traficante; nós estamos falando de um narcotraficante. Ele está um patamar acima de tudo que vocês viram por aí. É um indivíduo que já tem 69 anos de prisão para cumprir, fugitivo do sistema prisional, alvo do Projeto Captura. Brasília [Ministério da Justiça e Segurança Pública] tem interesse na captura dele. Ele é o elo estratégico do Rio de Janeiro com o Espírito Santo”.