O Partido dos Trabalhadores convocou sua militância e aliados para ato público, na quinta-feira (08/01), na Praça dos Três Poderes, em Brasília, em memória dos ataques de 8 de janeiro de 2023 e em defesa da democracia. A mobilização marca três anos da invasão e da depredação das sedes do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), episódio que abalou o País e levou a uma série de investigações e processos judiciais.
Segundo o PT, a manifestação tem como objetivo relembrar a tentativa de ruptura institucional promovida por apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro (PL) após a derrota eleitoral de 2022 e reafirmar o compromisso com o Estado Democrático de Direito. A expectativa é de contar com a presença de lideranças políticas, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de parlamentares e dirigentes de partidos de esquerda, que vêm reforçando o chamado nas redes sociais.
No Palácio do Planalto, haverá cerimônia, com o “objetivo reforçar os valores da democracia, que sofreu abalo nessa data, em 2023”, conforme destacou nota da Presidência. Será às 10 horas, com a presença de Lula. O presidente deve anunciar a decisão sobre a redução de penas dos condenados pela trama golpista, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro e generais, o chamado PL (Projeto de Lei) da Dosimetria. A Câmara e o Senado aprovaram o projeto, flagrantemente inconstitucional e casuísta. Lula tem a prerrogativa de vetar ou sancionar.
As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, o PT e outros partidos políticos do campo democrático popular, centrais sindicais e movimentos sociais também estão convocando a sociedade a participar de atos em repúdio à violência e tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. “É hora de lembrar para nunca mais se repetir”, pontuam os movimentos sociais e políticos.
Na última reunião ministerial do ano, em dezembro, o presidente Lula relembrou a gravidade da tentativa de ruptura institucional, inclusive com planos de assassinatos dele próprio, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
O STF também realizará um evento para lembrar a invasão e a depredação de sua sede. Mesmo em período de recesso, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, conduzirá a cerimônia, com a possibilidade de participação de outros integrantes do tribunal, entre eles o ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos e ações penais que apuram a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
As investigações conduzidas no âmbito do STF e da Polícia Federal apontaram que os atos de 8 de janeiro foram o ápice de uma articulação mais ampla, que envolveu desde a disseminação de desinformação até planos para constranger ou afastar autoridades e criar um cenário de crise institucional. Centenas de envolvidos no quebra-quebra já foram julgados, com condenações e aplicação de penas.
A programação do Supremo inclui a exposição 8 de janeiro: mãos da reconstrução, no Espaço do Servidor; a exibição do documentário Democracia Inabalada: mãos da reconstrução, no Museu do STF; uma roda de conversa com a imprensa; e a mesa-redonda “Um dia para não esquecer”, no Salão Nobre da Corte. As atividades começam às 14h30 e buscam preservar a memória institucional e reforçar a importância da defesa da Constituição.
Respeito
Ao promoverem atos simultâneos, PT, Planalto e STF procuram marcar a data como um divisor de águas na história recente do País, reafirmando que a resposta às investidas contra as instituições deve ser a preservação da democracia, o respeito às decisões judiciais e o fortalecimento do diálogo político. Os atos ocorrem em uma semana de intensa movimentação política na capital federal. Grupos ligados à direita também anunciaram atividades para a mesma data, com pautas como a defesa da anistia a pessoas condenadas ou investigadas pelos ataques de 2023, o que tende a ampliar o debate público sobre os desdobramentos do episódio.
Em novembro do ano passado, o STF concluiu o julgamento de sete réus responsáveis pela articulação golpista, entre eles Bolsonaro. Eles foram condenados pelos seguintes crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão; Walter Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro e candidato a vice-presidente na chapa de 2022, a 26 anos; Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, a 24 anos; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal, a 24 anos; Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), a 21 anos; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, a 19 anos; Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a 16 anos, um mês e 15 dias. Ramagem foi cassado em dezembro de 2025 pela Câmara e está foragido em Miami, nos Estados Unidos.



