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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descreveu a operação em que o Exército norte-americano prendeu o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, como “um dos ataques mais precisos” da história militar do país. Com grande exaltação das Forças Armadas americanas, Trump disse que a operação de captura e “extração” de Maduro e da então primeira-dama foi uma “ação de soberania e justiça”. No sábado (03/01) de madrugada, os EUA atacaram a capital Caracas e capturaram Nicolás Maduro. Ele e a esposa já se encontram em presídios de Nova Iorque.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, acrescentou que “não há palavras para descrever a coragem, o poder e a precisão desta operação histórica. Uma operação conjunta em grande escala, executada de forma impecável”. A ação foi liderada pelo general John Daniel “Razin” Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA. Em entrevista coletiva na residência de Trump na Flórida, Caine descreveu como foi a operação: “Discreta, precisa e executada no momento mais escuro da noite”.

‘Meses de preparação’

O general Caine afirmou que as forças militares e de Inteligência dos EUA estavam trabalhando há meses no planejamento e na preparação da intervenção na Venezuela, que chamaram de Operação Resolução Absoluta (Absolute Resolve). Segundo o alto comandante militar, a ação incluiu o envio de tropas, navios e aeronaves para a região, bem como operações da Agência Central de Inteligência (CIA), da Agência de Segurança Nacional (NSA) e da Agência Nacional de Inteligência Geoespacial (NGA).

Um dos objetivos era estudar o dia a dia de Maduro e seu entorno, segundo Caine: como ele se movia, onde morava, para onde ia, como se vestia e até mesmo quais animais de estimação o cercavam. O general garantiu que estavam prontos para executar o plano desde os últimos dias de dezembro, mas optaram pela noite de sexta-feira e madrugada de sábado, em parte devido às condições favoráveis de visibilidade na área de Caracas.

“Era crucial escolher o dia ideal para minimizar o potencial impacto sobre os civis e maximizar o elemento surpresa”, segundo Caine. Então, seguiram-se cinco horas de ação militar para a “extração” de Maduro e sua esposa.

22:40 de sexta-feira (02/01)

Pouco antes das 23h de sexta-feira (hora dos EUA), Trump deu a autorização a partir de sua residência na Flórida. “O presidente nos disse: ‘Boa sorte e que Deus os proteja'”, explicou Caine. Então, o Estado-Maior Conjunto ordenou o envio de 150 aeronaves que partiram de terra e mar perto do espaço venezuelano. As aeronaves voaram a cerca de 30 metros acima do nível do mar em direção a Caracas, que está separada da costa por uma cordilheira.

Os helicópteros que lideravam o avanço começaram então a usar “recursos”, disse o general Caine sem dar detalhes, para abrir caminho até seu objetivo: o complexo onde Maduro se encontrava. Eles eram apoiados em diferentes posições por caças F-18, A-18, E-2, bombardeiros B-1 e unidades não tripuladas.

“Quando a força começou a se aproximar de Caracas, o componente conjunto começou a desmantelar e neutralizar os sistemas de defesa antiaérea da Venezuela, utilizando armamento para garantir a passagem segura dos helicópteros até o objetivo”, explicou o chefe militar.

Ele garantiu que, assim que suas tropas cruzaram a cordilheira de Caracas, determinaram que o “elemento surpresa” havia sido totalmente preservado.

1:01

CARACAS, VENEZUELA – JANUARY 3: Multiple strong explosions were heard on Saturday in Venezuela’s capital Caracas amid rising tensions with the United States on January 3, 2026. (Photo by Stringer/Anadolu via Getty Images)

As aeronaves chegaram por volta da 1 da manhã (2 da manhã em Caracas) ao complexo onde Maduro e sua esposa estavam hospedados. Lá, as forças americanas enfrentaram uma reação: “Os helicópteros foram alvo de tiros e responderam com força avassaladora para se defenderem”. Segundo Caine, uma das aeronaves foi atingida, mas permaneceu operacional. Trump e seus funcionários garantiram que os EUA não sofreram baixas de nenhum tipo. O chefe militar não deu mais detalhes sobre as circunstâncias em que Maduro e sua esposa foram detidos, se eles ofereceram resistência pessoalmente ou se tinham algum equipamento de proteção. “Maduro e sua esposa se renderam”, limitou-se a dizer.

Trump, que acompanhou a operação ao vivo de uma sala especial em sua residência na Flórida, afirmou que eles estavam em “uma casa que era mais como uma fortaleza”. Supostamente, o presidente venezuelano tentou entrar em um local seguro reforçado com aço, chegou até a porta, mas não conseguiu fechá-la.

De acordo com uma fonte da CBS News, Maduro foi capturado pela Força Delta do exército, a principal unidade antiterrorista dos EUA. Eles estão sob custódia do Departamento de Justiça, que os acusa de vários crimes relacionados ao tráfico de drogas.

3:29

Quando os helicópteros dos EUA estavam se retirando de Caracas, “houve múltiplas trocas [de tiros]” com as forças venezuelanas, pelo que foi necessário o apoio de outras aeronaves. “Com sucesso, a força conseguiu sair e retornar às suas bases de partida”, segundo o general Caine.

Às 3h29, horário dos EUA (4h29 em Caracas), Nicolás Maduro e Cilia Flores já estavam em um navio, o USS Iwo Jima, para serem transferidos para território americano. “Se um único componente dessa máquina bem lubrificada tivesse falhado, toda a missão teria fracassado. E falhar nunca é uma opção para as forças militares dos EUA”, disse Caine.

“Foi uma demonstração poderosa da força conjunta dos EUA”, concluiu o general.

Os locais atacados

Ao mesmo tempo em que a operação era realizada, fortes explosões foram ouvidas em Caracas e colunas de fumaça podiam ser vistas subindo sobre a cidade. Vídeos de explosões e helicópteros sobrevoando circularam nas redes sociais.

A equipe da BBC Verify confirmou que houve ataques nos seguintes locais:

  • A Base Aérea Generalísimo Francisco de Miranda, um aeródromo conhecido como La Carlota.
  • O Forte Tiuna, uma instalação militar importante em Caracas.
  • O porto de La Guaira, principal via de acesso de Caracas ao mar do Caribe.
  • O aeroporto de Higuerote, localizado no estado de Miranda, a leste de Caracas.

Donald Trump disse que as forças americanas estavam “preparadas para uma segunda onda” de ataques, mas que não precisaram realizá-la porque a primeira foi “muito poderosa”. O presidente dos EUA acrescentou que não houve mortos nem feridos entre as forças americanas e que houve “poucos” feridos na operação.

Imagens transmitidas em canais de televisão mostraram o desembarque do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no Aeroporto Internacional de Stewart, no Vale do Hudson, a cerca 95 quilômetros da cidade de Nova York. A aeronave que levou o ditador e sua esposa, Cília Flores, pousou por volta das 18h30 (horário de Brasília) de sábado (03/01), mais de 16 horas após a captura do casal, em Caracas, por forças especiais norte-americanas em uma invasão militar sem precedentes do território venezuelano.

(Fonte: BBC News Brasil)