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O secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffman, apresentou na manhã desta segunda-feira (10/11) os resultados finais da investigação epidemiológica e laboratorial referente ao surto de síndrome respiratória registrado no Hospital Santa Rita, em Vitória. Segundo ele, o surto foi causado pelo fungo Histoplasma capsulatum, comum em fezes de aves e morcegos. Pelo menos 33 casos de histoplasmose foram confirmados até o momento, e os testes laboratoriais continuam sendo realizados apenas para determinar o número exato de infectados.

Tyago Hoffman informou que, além do fungo, as análises também identificaram a presença da bactéria Burkholderia cepacia em duas técnicas de enfermagem, justamente os casos mais graves da investigação. O secretário acrescentou que, encerrada a investigação sobre o surto, o Governo do Estado vai agora realizar uma investigação  administrativa, que deve durar até 60 dias, para apurar a forma com que o fungo entrou no Santa Rira.

O secretário disse também que o diagnóstico dos estudos conduzidos pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen/ES), em parceria com instituições como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi confirmado por meio de técnicas laboratoriais avançadas, como sorologia do tipo Western Blot, que detectou 32 casos confirmados e quatro casos de soroconversão.

Além disso, a investigação identificou presença da bactéria Burkholderia cepacia em amostra de água proveniente de um bebedouro da unidade hospitalar, bem como em análises metagenômicas de amostras respiratórias de duas profissionais de saúde. Trata-se de um patógeno oportunista com potencial de causar infecções em ambientes hospitalares, especialmente em pacientes vulneráveis.

“A conclusão é clara: o surto foi causado pelo fungo Histoplasma. Os testes agora seguem apenas para consolidar o número exato de casos confirmados. Concluímos, com rigor técnico e transparência, a etapa laboratorial e epidemiológica da investigação do surto, confirmando a atuação de dois agentes distintos. A resposta rápida foi possível graças à mobilização integrada de equipes de vigilância, assistência e laboratório”, afirmou o secretário Tyago Hoffmann.

Segundo a Sesa, durante as novas análises, as duas técnicas de enfermagem do Santa Rita testaram positivo para a Burkholderia cepacia, os casos mais graves da investigação. Uma das profissionais foi infectada, simultaneamente, pelo fungo e pela bactéria. A técnica chegou a ser intubada durante o tratamento, porém, apresentou evolução positiva.

O subsecretário de Vigilância em Saúde, Orlei do Amaral Cardoso, destacou que a detecção precoce e o acompanhamento dos casos foram fundamentais para o controle do evento. “A equipe atuou com monitoramento contínuo, identificação de soroconversões e ampliação das análises ambientais e microbiológicas, garantindo precisão diagnóstica.”

Já o diretor do do Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen/ES), Rodrigo Rodrigues, explicou que foram utilizados painéis ampliados de RT-qPCR, culturas bacterianas e fúngicas, testes moleculares específicos, além de sequenciamento por metagenômica, o que aumentou a capacidade de identificar e rastrear os agentes envolvidos. “A investigação empregou todos os níveis tecnológicos disponíveis no país para elucidar o quadro clínico e ambiental observado”, reforçou.

Investigações administrativas seguem

A Sesa destacou que, embora concluída a fase epidemiológica e laboratorial, permanecem em andamento as investigações administrativas, conduzidas pela Subsecretaria de Vigilância em Saúde para determinar a origem e as circunstâncias da entrada dos patógenos no ambiente assistencial, bem como possíveis fatores contribuintes para sua disseminação.

Serão mantidas, nos próximos 60 dias, as ações de vigilância, coleta adicional de amostras de água e análise complementar de soro de casos suspeitos ainda dentro da janela diagnóstica. “A transparência continuará sendo nosso compromisso. As medidas administrativas e estruturantes necessárias serão adotadas para garantir segurança assistencial e prevenção de novos eventos”, pontuou Hoffmann.

De acordo com a Sesa, técnicos do Lacen e da Vigilância Sanitária revelaram que obras em andamentono Hospital Santa Rita, somadas a fatores ambientais como poeira e sistema de ar-condicionado, podem ter favorecido a dispersão dos esporos do fungo. Segundo a Vigilância, novos casos começaram a ser identificados nos últimos dias devido ao período de incubação da histoplasmose, que pode levar semanas para manifestar sintomas. Por isso, os resultados mais recentes apareceram mesmo após a adoção das medidas de controle.