A Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SMASC) de Campos dos Goytacazes, município localizado no Norte do Estado do Rio de Janeiro, formalizou uma grave denúncia institucional contra órgãos de outras municipalidades, incluindo a capital capixaba, Vitória. O motivo é o encaminhamento de pessoas em situação de rua para Campos, sob a alegação de falsas promessas de vagas em abrigos e oportunidades de emprego. A ‘deportação’ dos moradores em situação de rua teria sido coordenada pela Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), cuja titular é a ex-deputada federal Soraya Mannato.
Em nota, a assessoria do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e da secretária Soraya Mannato negam a acusação, mas afirmam que a Prefeitura cedeu passagem apenas a uma família neste mês de outubro de 2025, dentro de um programa oficial voltado a pessoas em situação de vulnerabilidade
Nesta semana, a situação se agravou com a chegada de pelo menos 15 pessoas, que relataram ter sido enviados pelo Albergue para Migrantes, localizado no bairro Mário Cypreste, em Vitória, que funciona 24 horas e acolhe pessoas em trânsito, em caráter emergencial. O albergue é da Prefeitura de Vitória.
Um dos casos constatados pela equipe do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop) de Campos envolveu uma família, com pais e duas crianças, que chegou à cidade do Norte fluminense de madrugada em condição de vulnerabilidade extrema.
A Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania de Campos divulgou, na quinta-feira (16/10), um vídeo mostrando a conversa com um casal e dois filhos pequenos, que relataram ter acreditado nas ofertas ao decidir se mudar para a cidade. Um morador do albergue municipal de Campos, onde as famílias foram acolhidas, afirmou que casos semelhantes vêm acontecendo há algum tempo.
O secretário de Assistência Social, Rodrigo Carvalho, disse que a família recebeu atendimento seguro e demonstrou surpresa com a situação. Ele informou ainda que os casos de envio por órgãos oficiais de outros municípios serão remetidos ao Ministério Público do Estado do Rio e à Justiça para que sejam tomadas as medidas legais cabíveis. O secretário classificou a prática como desumana, afirmando que as pessoas estão sendo tratadas “como se fossem objetos”.
A subsecretária Grazielle Gonçalves reforçou que a premissa da assistência social é o vínculo, e que Campos, ao promover o retorno voluntário de seus usuários para cidades de origem com laços familiares, o faz “com dignidade”, prestando suporte logístico.
A coordenadora do Centro Pop, Cláudia Moura, explicou que foi feito contato com o albergue de Vitória, que teria afirmado haver vagas em Campos, o que não corresponde à realidade ou ao protocolo. De janeiro a agosto de 2025, o Centro Pop de Campos já atendeu aproximadamente 45 pessoas que solicitaram apoio para retornar às suas cidades de origem, muitos após serem atraídos por promessas de emprego não concretizadas.
A denúncia formaliza uma crise humanitária de gestão social que exige intervenção dos órgãos de controle interfederativos.
O que diz a Prefeitura de Vitória
Em nota enviada à imprensa, a Prefeitura de Vitória esclareceu que, além da já citadas passagens para três pessoas em outubro, em setembro não houve concessão de benefício e, em agosto, houve apenas uma.
A Prefeitura detalha que a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) conta em sua rede com o Serviço de Acolhimento Institucional Provisório para Adultos e Famílias, na modalidade Casa de Passagem, denominado Albergue para Migrantes, localizado em Mário Cypreste. Segundo nota da Prefeitura, o serviço providencia “acolhida, atendimento psicossocial, estadia 24 horas, pernoite, alimentação, higienização e articulação com a rede de serviços intersetorial”. A concessão de passagens “depende de análise da equipe técnica, pois é um benefício ligado a uma vulnerabilidade temporária ou situação de risco”, finaliza a nota.



