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O craque Raí defendeu, na quinta-feira (21/08) em Vitória, que jogadores de futebol sejam empreendedores de si mesmos como forma de estar sempre buscando a valorização profissional e pessoal. A manifestação do ex-jogador tetracampeão Mundial pela Seleção Brasileira, em 1994, nos Estados Unidos, foi durante entrevista coletiva que antecedeu o lançamento do Programa Acredita, iniciativa do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae/ES), realizado no Palácio Anchieta. Raí é o embaixador do programa.

Antes da coletiva, porém, a assessoria de imprensa de Raí, que preside a Fundação Gol de Placa, avisou aos jornalistas que o ex-jogador não falaria falar sobre futebol. Antes da primeira pergunta, entretanto, o ‘site’ Blog do Elimar Côrtes perguntou a Raí se de fato ele não falaria sobre o esporte que marcou sua vida. “Não dá pra falar, porque estou por ‘fora’ por estar morando há muito tempo na França”, desconversou. O ‘site’, então, provocou o craque: “Fale, então, sobre a seleção francesa”. Ele sorriu.

Raí seria indagado sobre a situação atual do futebol brasileiro, cuja Seleção principal, agora treinada pelo italiano Carlo Ancelotti, já garantiu classificação para a Copa do Mundo de 2026, que será disputada pela primeira vez em três países diferentes: Estados Unidos, México e Canadá. A Seleção se classificou na noite de 10 de junho de 2025, ao derrotar o Paraguai por 1 a 0, em Itaquera, São Paulo.

Raí chegou ao Palácio Anchieta e saltou do carro amparado por muletas por conta de uma cirurgia que fez no quadril, no dia 12 de agosto deste ano, para colocar uma prótese. Tranquilizou os fãs, garantindo estar se recuperando bem. Durante a palestra, que fez no Salão São Tiago, ficou de pé e também sentado.

Na verdade, Raí não quis é comentar sobre o futebol brasileiro, que conquistou seu último Mundial em 2002, para evitar entrar em dividida (polêmica). No entanto, falou de futebol na maior arte da palestra. Recordou da sua carreira, inicialmente no Botafogo, de Ribeirão Preto – interior paulista –, de onde chegou à Seleção Brasileiro; falou sobre a trajetória vitoriosa no São Paulo, onde conquistou a Copa Libertadores da América (1992 e 1993), o Campeonato Brasileiro (1991) e o Mundial Interclubes (1992); e abordou também a sua rica passagem pelo Paris Saint-Germain, onde também se tornou ídolo e conquistou a Recopa Europeia (1996), o Campeonato Francês (1993-1994), duas Copas da França e duas Copas da Liga Francesa.

A palestra do craque foi motivacional e voltada para empreendedores. Raí citou o futebol como exemplo. “O empreendedor tem que ser igual a um jogador de futebol: ter paixão pelo que faz”, ensinou o ex-jogador, que autografou e distribuiu bolas para pessoas presentes no São Tiago, no Palácio Anchieta.

Na coletiva, ao ser indagado pelo Blog do Elimar Côrtes se os clubes de futebol sabem empreender, Raí respondeu de forma muito didática:

“Os clubes não são considerados pequenos empreendedores, mas eu acho que, como eu digo na minha palestra, cada atleta acaba sendo um empreendedor de si próprio, da sua carreira. Todos os atos que ele faz, tudo que ele investe na sua carreira, na sua capacitação, na sua disciplina e melhorar aquilo que tem, é uma forma de empreendedorismo. O jogador tem um talento natural para algumas coisas. Então, tem o suporte que o clube sempre dar, mas tem também a iniciativa individual de cada atleta que contribui com um projeto coletivo.”

Sobre o Programa Acredita, do Sebrae, do qual é embaixador, Raí se declarou fã da iniciativa. O craque sempre defendeu os pequenos e micros empreendedores brasileiros:

“Eu sempre fui muito admirador desse público, desse setor que é importantíssimo, acho que é o setor mais importante para a economia do País, que gera muitos empregos. Fico feliz em dizer que eu estou nessa barca também, como embaixador do Sebrae, do Programa Acredita. E estou aqui também sabendo que tem um esforço do Governo do Espírito Santo de apoiar a micro e pequena empresa. Acho que isso nem sempre é valorizado. Por isso, a gente tem que estar acompanhando e valorizando esses eventos acompanhando e dando suporte”, disse Raí.

O ex-jogador afirmou ainda que, em suas palestras, busca levar inspirações e bons exemplos às pessoas. Raí salientou que atletas, que normalmente são ídolos do grande público, têm essa missão, que é a de ajudar o público em geral com exemplos positivos:

“Minha presença aqui é, primeiro de tudo, inspirar. Acho que tenho uma carreira exemplar, assim como muitos dos meus companheiros, das minhas gerações e outras gerações. O futebol, como um setor da cultura do Brasil, de modo de expressão do País, serve para inspirar. As pessoas acabam acompanhando ou ouvindo as histórias, acho que isso é sempre importante. É claro que o esporte sempre tem um paralelo com a vida real. Todo mundo sai do zero, sai como um pequeno microempreendedor, por exemplo em que tem que investir na carreira, tem que ter suporte, uma assistência de alguém que acredita nele, uma formação, capacitação de liderança também. O atleta precisa de tudo isso para tomar iniciativas na hora das  dificuldades. Assim como o jogador, o empreendedor tem que saber gerenciar crises, como fazer uma gestão de crises. Eu sempre digo que o futebol, e eu vivi isso na minha carreira, é a arte de gerir crises. Uma temporada, por mais que o atleta seja vitorioso, que tenha sucesso, vai ter sempre um momento de crise que terá de saber administrar. Eu acabo dividindo essas experiências com esse público, que, de alguma forma, aproveita de uma maneira ou de outra. Como disse, acho que o mais importante é inspiração e motivação, e apresentar casos de sucesso, como foi a minha trajetória no futebol”.

Raí também destacou a importância de ídolos do esporte e de demais setores da cultura falarem de políticas públicas, aliadas à economia, à população brasileira:

“Pelo fato de ter sido convidado para um evento como esse em Vitória, é por conta de minha imagem de minhas posturas. Eu me considero um ativista social. Depois que parei de jogar, criei um projeto social, a Fundação Gol de Placa, que existe há 25 anos. Então, sempre tem essa preocupação de pensar o País num marco e eu acho que o esporte é um setor importante da economia e que serve, como falei, não só para inspirar, mas também para dar visibilidade a outros setores. Por isso, emprestar esse prestígio, esses valores, a credibilidade que eu cumpri na minha carreira, é importante para chamar atenção para projetos que podem fazer diferença na sociedade é que é o meu objetivo principal.”