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O radialista Max Pitangui apresentou Notícia de Crime na Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor), solicitando apuração policial para apuração de crimes como tentativa de suborno, coação, ameaça e extorsão. Max aponta como autores dos crimes o dono de um portal de notícias de Guarapari e um suposto advogado, que estariam a mando de uma empresa que atua na construção e montagem de obras de saneamento.

Na Notícia Crime encaminhada à Deccor, Max Pitangui narra que no dia 11 de julho de 2025 (sexta-feira) recebeu ligação telefônica do jornalista que é dono de um portal de notícias, “que insistiu em me encontrar para me dar informações e me ajudar. Informei que estaria no Fórum de Vila Velha na segunda-feira (14/07) seguinte, por volta das 12h30, para cumprir compromissos jurídicos.”

Por volta das 12h30 do dia 14 de julho, Max diz ter sido abordado no Fórum de Vila Velha pelo jornalista, que estava acompanhado de um homem que se identificou como advogado e parecia representar a empresa de construção e manutenção em obras de saneamento. Jornalista e suposto advogado sugeriram que o trio fosse para o Shopping Vila Velha, no mesmo bairro Boa Vista, onde fica o Fórum. A conversa ocorreu em uma cafeteria próxima ao Carrefour, no estacionamento do shopping (ao lado da escada rolante, setor sul).

Max Pitangui, que é dono do ‘site’ O Gazebo, disse que durante a conversa no Shopping Vila Velha, o jornalista afirmou estar preocupado com ele (Max), alegando que o mesmo seria preso a qualquer momento por reportagens jornalísticas que produziu “contra certas empresas”, incluindo a que atua em obras de saneamento. “Segundo ele, um grupo poderoso, formado por seus clientes [do jornalista] estaria determinado a me ‘pegar’. Ele mencionou que esse grupo incluía pessoas com influência capaz de ‘prender todo mundo”, prossegue Max.

Segundo ele, o jornalista afirmou que ajudaria a evitar a prisão, “mas condicionou essa ajuda a que eu prestasse depoimento falso contra determinadas pessoas”, incluindo figuras políticas, advogados e até jornalistas. Esse depoimento teria que ser prestado ao Ministério Público do Estado, de acordo com o jornalista e o suposto advogado.

“Especificamente, ele [jornalista] queria que eu afirmasse, de forma falsa, que recebia dinheiro para publicar matérias [reportagens] atacando empresas e, posteriormente, retirá-las, e que meu nome era usado para extorsões nesse sentido – fatos absolutamente inverídicos, que neguei veementemente”, prossegue Max Pitangui na Notícia Crime.

“Declarei…que nunca recebi dinheiro ou recursos dessas pessoas ou de qualquer outro para produzir ou retirar reportagens. Afirmei ser jornalista independente, com jornal independente, sem recebimento de recursos públicos ou publicitários. Meu sigilo bancário e padrão de vida modesto comprovam isso”, afirma Max.

De acordo com o radialista, a abordagem do jornalista no Fórum de Vila Velha e no shopping “me pareceu intimidatória e coercitiva, com o advogado presente endossando suas palavras. Senti-me coagido, como se recusar implicasse em prejuízos graves, como prisão iminente…Ele alertou que eu não poderia revelar a conversa a ninguém, pois todos estavam monitorados e sob investigação, sob pena de prisão.”

E prossegue: “Com tom intimidatório, ele afirmou que eu estava sendo observado de perto por esse grupo, que influenciava a polícia e outros órgãos…Ele alegou ter influência sobre inquéritos e investigações, dizendo que eles conheciam meus passos, e que o depoimento me livraria da prisão.”

Max Pitangui informa na Notícia Crime que o jornalista propôs que o depoimento falso ocorresse como uma “troca de conversa” informal naquela mesma semana, oferecendo uma ajuda financeira de R$ 5.000,00 mensais de parte desse grupo, incluindo a empresa de construção e manutenção em obras de saneamento.

Saindo da cafeteria, prossegue Max Pitangui, o jornalista o chamou até o estacionamento para mostrar um documento. Em pé, na porta do carro de seu carro, o jornalista mostrou a Max a cópia de documento, que seria parte de um Inquérito Policial. “Ainda em pé, na porta do veículo, ele afirmou que queria me ajudar e, em seguida, me entregou R$ 1.800,00 em espécie (parte dos R$ 5.000,00 mensais prometidos), afirmando que o restante seria pago depois e que os pagamentos continuariam se eu prestasse o depoimento falso e ganhasse a confiança do grupo. Ele mencionou receber R$ 50.000,00 mensais desse grupo e me incentivou a me aliar”, diz Max.

Ele acredita que as câmeras do estacionamento do Shopping Vila Velha (próximo ao Carrefour, ao lado da escada rolante, setor Sul) devem ter registrado a entrega do dinheiro em espécie, visivelmente, sem envelope, após saírem da cafeteria, no início da tarde. “Trata-se de clara tentativa de suborno para obter depoimento falso”, diz Max.

No dia 15 de julho de 2025, numa terça-feira, o jornalista telefonou de novo para Max Pitangui, insistindo que ele  comparecesse à tarde na Enseada do Suá para uma “conversa informal” ou “café”, que seria oficializada em depoimento se o conteúdo atendesse seus interesses. O jornalista mencionou para Max que sua advogada [do jornalista] o acompanharia para garantir o teor desejado do depoimento.

Max Pitangui concordou em se encontrar com o jornalista e a advogada na Enseada do Suá. No entanto, por se sentir coagido e temendo ser preso, ele  entrou em contato com sua advogada Walquíria Durães, que é de Brasília. “Ela orientou-me a não depor informalmente sem intimação oficial, alertando para uma possível armadilha criminosa, e enviou um advogado para me acompanhar, além de prometer acionar a OAB/ES”, diz Max.

Ao chegar à Enseada do Suá, Max encontrou o jornalista com a advogada. “Ele reiterou que o depoimento evitaria minha prisão, insinuando controlar os inquéritos e estar motivado financeiramente pelo grupo para atacar desafetos que seriam dele também. Exigi esperar o advogado enviado pela Dra. Walquíria, para ganhar tempo, o que contrariou [o jornalista], que pressionou para prosseguir” com a sua advogada, “alegando obrigatoriedade.”

Max Pitangui pontua mais: “Mesmo dando corda para chegar até o local da ‘emboscada’, resisti à pressão”. Segundo ele, quando o advogado chegou, o jornalista reagiu “rudemente e se retirou”. O advogado enviado à Enseada do Suá para socorrer Max Pitangui apurou que não havia intimação oficial: o jornalista “havia simulado uma solicitação para me induzir a depor falsamente em benefício de seus interesses financeiros e pessoais, a serviço desse grupo empresarial.”

Max Pitangui escreve ainda na Notícia  Crime que no dia 16 de julho de 2025 (quarta-feira), o jornalista demonstrava preocupação com a trama montada por ele, “me ligando e enviando mensagens via WhatsApp, insistindo em ‘querer me ajudar’, mas na verdade pressionando para eu avançar com depoimentos falsos contra as pessoas citadas, aparentemente por interesses financeiros ou pessoais ligados ao grupo.”

Ao final da Notícia Crime, Max Pitangui solicita à Decoor:

  1. A) Instauração de inquérito para apurar os crimes narrados;
  2. B) Identificação do advogado desconhecido, que acompanhou o jornalista ao Fórum de Vila Velha até o Shopping Vila Velha;
  3. C) Requisição de imagens das câmeras de segurança do Fórum de Vila Velha e sobretudo do Shopping Vila Velha (notadamente do estacionamento próximo ao Carrefour, ao lado da escada rolante, setor Sul), para comprovar a abordagem e entrega de dinheiro vivo em minhas mãos por…, bem como a apresentação do suposto documento oficial sigiloso de algum inquérito;
  4. D) Investigação dos pagamentos efetuados por esse grupo empresarial, incluindo a empresa, em benefício de…, com o intuito de custear atos de natureza ilícita, como o presente, além de extorsão e matérias atacando terceiros. De acordo com as informações disponíveis, tais repasses ocorrem há aproximadamente dois anos e meio, na forma de dinheiro em espécie ou transferências via Pix destinadas à advogada…e a empresas a ela vinculadas. Nesse último caso, os valores são posteriormente repassados por ela [ao jornalista] e à sua companheira e sócia…, sem qualquer justificativa contábil ou laboral.