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A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, sofreu novos insultos de parlamentares durante audiência pública na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, na quarta-feira (02/07), em Brasília. Ela havia sido convocada para prestar esclarecimentos sobre temas ambientais. Em maio deste ano, Marina já havia sido atacada por senadores, em uma audiência promovida Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado.

A audiência pública de quarta-feira mostrou que a turma dos mal-educados da Câmara Federal não aprendeu nada com os ataques no Senado. Durante a inquirição, o deputado capixaba Evair de Melo (PP), da bancada ruralista, autor do requerimento de convocação e uma espécie de ‘puxa-saco’ bolsonarista, resolveu sair da linha em busca dos seus minutos de fama junto aos seus eleitores. Ele comparou a ministra Marina com grupos armados, como as Farc, da Colômbia, e o Hamas, na Faixa de Gaza.

Voltou a associar a ministra com o câncer, repetindo declaração feita anteriormente. Disse que Marina Silva era “adestrada” em sua ideologia. O deputado cometeu gafes, gaguejou.

“Um dia, eu fiz uma citação aqui comparando com um câncer. E eu pedi desculpas depois, porque o câncer muitas vezes tem cura. E esse viés ideológico construído nesse movimento conspiratório tem se mostrado aplicado nesse momento”, atacou o Evair de Melo.

Desta vez, porém, a agressão verbal não pegou a ministra Marina de surpresa. Ela declarou, em sua resposta, que antes de comparecer para atender à convocação pediu a Deus em oração para que lhe desse calma. Sem subir o tom, sem baixar o nível, Marina Silva colocou o desrespeito e as dúvidas sobre sua capacidade em seus devidos lugares. Ao falar sobre justiça, fez questão de deixar claro que tem a consciência limpa:

“É preferível sofrer a injustiça do que praticar uma injustiça. E eu prefiro sofrer uma injustiça do que praticá-la. Se você pratica a injustiça, pode ter certeza que a reparação um dia virá. Isso me conforta”, afirmou Marina Silva.

Em outro momento, durante uma fala mais inflamada de Marina Silva em defesa das ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o deputado Cabo Gilberto (PL-PB) pediu calma à ministra, uma postura que ela rebateu como machista, já que a ênfase verbal do discurso de homens normalmente não é criticada.

Em maio, Marina Silva passou por uma situação parecida e acabou deixando uma audiência na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado após ser atacada pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM). Na ocasião, o tucano pediu a palavra para fazer uma pergunta, mas acabou afirmando que, como ministra, ela não merecia respeito.

Dessa vez, a audiência durou até o fim, ultrapassando 5h30 de duração. Ao rebater a fala de Evair Melo, a ministra voltou a citar posturas autoritárias.

“Eu sabia que depois do que aconteceu na Câmara Alta desse País, aqueles que gostam de abrir a porteira para o negacionismo, para a destruição do meio ambiente, pro machismo, pro machismo [para de falar após ser interrompida]”, afirmou Marina Silva. “As pessoas iriam achar muito normal fazer o que está acontecendo aqui, num nível piorado. Acho que Deus me ouviu e estou em paz”, continuou a ministra, após intervenção do presidente da comissão Rodolfo Nogueira (PL-MS).

Em sua apresentação durante a audiência, Marina Silva destacou a queda do desmatamento no Brasil, que foi reduzido em 46% na Amazônia e 32% no país inteiro. Ela também citou números positivos do agronegócio, que cresceu 15% e a renda per capita cresceu em torno de 11%.